Posts de Setembro, 2006

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Setembro 25, 2006

“Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para retornar sempre inteira.”
Clarice Lispector

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isn’t it ironic? don’t you think?

Setembro 18, 2006

well life has a funny way of sneaking up on you
when you think everything’s okay
and everything’s going right
and life has a funny way of helping you out
when you think everything’s gone wrong
and everything blows up in your face

[ironic - alanis morissette]

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Setembro 14, 2006

pra que chorar por um amor que já morreu?
meu coração já se cansou de falsidade…

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Setembro 6, 2006

você diz não saber o que houve de errado
e o meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria
ah, meu deus, era tudo que eu queria!
eu dizia o seu nome, não me abandone jamais
mesmo querendo eu não vou me enganar
eu conheço seus passos, eu vejo os seus erros
não há nada de novo, ainda somos iguais
mas não, não me chame
não olhe pra trás…

[meu erro - herbert vianna]

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Por não estarem distraídos

Setembro 1, 2006

Clarice Lispector

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.