
É a vida desse meu lugar, é a vida
Março 11, 2006Não fui ao Rio encontrar os Stones, não vi Bono beijar Katilce, não pulei Carnaval, não assisti ao Oscar. Fevereiro passou voando, o meu mês tão querido.
Há muito não voltava pra casa e, talvez por isso, estranhei a cama. E não reconheci os barulhinhos daqui. Estranheza, também, com as ruas que não reconheço mais, com as novas cores e os novos lugares.
Mas mesmo assim ainda é inexplicável o que sinto ao abrir a porta de casa e sentir cheirinho da roupa lavada pela mãe. Ou então quando desço do ônibus e vejo o pai esperando no carro. Ao ir na casa da vó e não ter mais vontade de sair do abraço que me confortou tantas vezes. Ou ao ouvir do vô, deitado na cama e com a perna pro alto, que é uma satisfação ter a minha visita — como em todas as vezes em que chego lá.
Saudades. Das coisas mais simples e mais valiosas da vida. Daquilo que eu tanto sinto falta quando volto cansada ali pro meu cantinho e começo a conversar com Deus. E eu sei que tudo isso faz parte. Sei que é preciso optar e, nem sempre, a gente escolhe o mais fácil. Mas, sabe, eu não posso reclamar. Não tenho do que reclamar. Eu sou feliz por ter para onde voltar quando tudo parece se tornar impossível.