De repente o sol se deitou e fez do azul avermelhado.
Depois da correria habitual, acomodou-se na rede da varanda e ficou a observar os fragmentos do céu colorido entre tantos prédios, luminosos e antenas da cidade. Os dias passam tão rapidamente pela sua frente que ela sente como se sua juventude escorresse entre seus dedos, sem que pudesse segurá-la. Deixa para trás o vigor da criança travessa e tenta se acostumar à melancolia que chega com a experiência.
O pouco que sobra dela, vive a tentar entender seus sentimentos e as sensações que invadem seu peito. A vontade de lutar pelos seus sonhos. A dificuldade para alcançar suas metas. A falta de companhia nas noites frias. A alegria descoberta nas coisas simples. O pesar em perceber que os contos de fadas não existem. A dor do coração ferido. A esperança de um amanhã melhor.
O calor ameno e o vento suave embalam-na até que adormece, tranqüila e alheia aos problemas. O momento de paz revigora suas energias e a prepara para uma nova jornada.
Porque, apesar das adversidades, o rio continua a correr e a deixar para trás as pedras que atravessam o seu caminho pelo simples fato de querer chegar ao mar.